Hey, Bahia – parte 1
Sabe, sou aquele tipo de paulistano chato, do tipo que não gosta de praia, axé, samba e essas coisas tropicais todas. Adoro São Paulo, aqui tem tudo que gosto de fazer. São paulo só fica melhor ainda nos feriados, todo mundo some. É como um “Esqueceram de mim” na cidade inteira.
Carnaval? São Paulo fica ótima no Carnaval! É a melhor época de ir no cinema, ver três sessões em um único dia! É lindo!
Mas esse ano foi diferente, uma amiga começou a agitar uma viagem. Onde é o pior lugar que um paulista típico poderia ir no Carnaval? Sim, fui pra Bahia!
Quando minha amiga sugeriu essa viagem, eu logo disse: “Sei não, praia, mar, sol de 50 graus, aquelas pessoas alegres”. Logo comecei a visualizar o inferno que seria aquilo. Mas não ia fazer nada mesmo, botei uns livros na mala e fui.
Chegando lá, aquele sol de 800 graus na sombra. Sabe aquelas cenas do Matrix? Que tudo fica em camera lenta? Foi assim que me senti na Bahia. Tudo ia devagar, não conseguia andar, nem pensar, era muito sol, muito calor! Seis horas da manhã acordava com o sol batendo na cara, e só conseguia pensar: “Mas que p...”. Daí me arrastava pra outro canto do quarto e ficava ali até o sol começar a baixar de novo.
Estávamos em seis paulistanos na mesma casa. As pessoas mais legais e divertidas. Realmente, ir pra Bahia valeu muito a pena por conhecer essa galera. E foi bem engraçado também. No dia que todos os seis resolveram ir pra praia de manhã. Advinha? Seis paulistas branquelos na praia. Óbvio que choveu!
Nem cheguei a tomar sol, não dava. Primeiro que nem sou branco, né? Estou mais pra um tom acizentado paulista. Imagina isso no sol? Não ia prestar. Comer na Bahia? Olha, Juro que dos 10 dias que fiquei lá, comi picanha grelhada em pelo menos 5 dias. Arrisquei um dos dias comer os pratos típicos, até que sobrevivi bem. Mas não dá pra comer muito por lá, três garfadas, no meio daquele calor e já tá bom.
Ou seja, 10 dias de carnaval na Bahia e não ouvi axé ou algo do tipo. Passava longe dos blocos. O que fiz por lá? Qualé, sou paulistano, fui no Jazz, no Reggae, em uma balada anos 80 (que tocava anos 90) cheio de gente feia. Fui também em dois sushis.
Jazz na Bahia? Se eu estava passando mal com o calor e delirei sobre isso? Confira na parte dois, amanhã.
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